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Pelo Voto Distrital!

Por Carlos Roberto Teixeira Netto

Se eu lhe disser que os próprios eleitores podem, na prática, efetivar o Voto Distrital que tem como benefícios a aproximação entre o eleitor e seu representante, reduzem os custos de campanha, reduzem as propagandas enganosas dos marqueteiros políticos, o que você pensaria disto? Leia até o final e entenderá.
Sinceramente, faz sentido isto?

“Levantamento do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap) indica que, segundo o resultado preliminar das eleições, apenas 35 dos 513 deputados federais eleitos alcançaram individualmente o quociente eleitoral nos seus estados.” ( Fonte: Câmara Noticias).

Estão incluídos nesses 35, o Tiririca, o Maluf e o Garotinho! O restante, 478 deputados federais eleitos, o foram pelos votos daqueles 35 e pelos votos de legenda! O nefasto coeficiente eleitoral…

Apenas 7% dos deputados federais foram, de fato, eleitos pelo povo! Portanto, 93% não alcançaram os votos para se eleger, mas estão lá “representando” o povo. Tem deputado que se elegeu com 13 mil votos. Este não seria eleito nem para vereador da cidade do Rio de Janeiro, com esta quantidade de votos.

Que democracia é esta??? É muito frágil!

Teremos na Câmara dos Deputados 478 que não tiveram os votos necessários para se elegerem, mas estarão lá representando VOCÊ! É isto que você quer?

Quais são as consequências disso?

Infelizmente, uma das coisas mais sérias deste país, na área política é o CQC (desculpem pelos palavrões)! Senão vejamos… É no CQC que podemos ver, em nossa televisão, o resultado de ter aqueles políticos que não foram eleitos por ninguém:

Outra coisa que fica claro, neste último item, é a necessidade do voto secreto (<= leia…).

Vou colocar um fato particular que voltou a minha memória e que, talvez, ilustre o que estamos vendo em termos de politica.

Minha filha, desde seus 12, 13 anos sempre teve uma consciência pública, muito mais desenvolvida de minha própria. Ela via uma velhinha em um sinal, à noite, pedindo esmola em um sinal e lá vinha a pergunta: “Por que ela está na rua a essa hora?'”. Isto me forçava a refletir e buscar uma resposta que não tinha para dar aquela adolescente.

Por insistência dela, quando completou seus 16 anos, tive que ir com ela tirar seu título de eleitor, num frio de lascar.

Nessa idade (16 anos), um dia ela chega do colégio muito chocada. Perguntamos o que tinha acontecido e ela explicou que seus colegas lhe perguntaram o que ela ia fazer, no futuro. Ela respondeu que queria entrar na política. A reação dos colegas foi unanime e dura com ela: “Você quer é roubar!”. O choque foi tão grande que tivemos que conversar com ela bastante, ligar para um tio de minha esposa que atuava na política, no interior de Minas Gerais e pedir para ele explicar um pouco mais do que significava a Política, não a que conhecemos neste país. Neste telefonema, ele citou a famosa frase de Martin Luther King:  “O que me preocupa não é o grito dos maus. É o silêncio dos bons.”

O que quero pontuar aqui é que a política, tal como acontece neste país tem afastado pessoas que, de fato, tenham uma genuína consciência pública e, isto sim, atraído bandidos. Daí minha alegria e esperança no projeto de lei de apoio popular, o Ficha Limpa.

Vejo como próximo passo neste caminho democrático, o voto distrital. Porque, aí sim, elegeremos pessoas que estão mais próximas de nós. Pessoas que conhecemos sua família, seus costumes, sua ética, sua relação com os filhos, com os vizinhos, de onde vem sua fonte de renda, etc.

As eleições municipais se aproximam do ideal do voto distrital. Precisamos que grupos de eleitores se organizem em suas regiões administrativas de suas cidades e escolham seus representantes, aqueles candidatos que ingressarão nos partidos existentes para, de fato, representar os eleitores daquela região. Temos que inverter este jogo. Eleitores (#NovosPolíticos) não mais aguardarão os partidos apresentarem os candidatos que devem ser votados, mas esses eleitores é que indicarão aos partidos as pessoas competentes e íntegras que querem como seus candidatos.

E, nas eleições estaduais e federais, não teremos mais 478 deputados sendo eleitos sem que tenham seus próprios votos!

Manifeste sua posição no site: Eu Voto Distrital – Mais Poder ao Cidadão (Obs.: Retiramos o link, pois o acesso via mobile está apresentando problemas).

Recentemente saiu um artigo de J.R. Guzzo onde traz mais razões para o Voto Distrital. Apesar de discordar da explicação simplista de que “o brasileiro não sabe votar” (escreverei um post sobre isto), vale a pena ler:

O voto distrital torna mais fácil escolher políticos melhores

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2 comentários em “Pelo Voto Distrital!

  1. Concordo com a sua linha de argumentação.
    Um dia fui essa garotinha.
    No entanto, uma “reforma política” não é tão simples quanto parece. O voto distrital também tem os seus defeitos. Haveria o problema do gerrymandering, isto é, a confecção do distrito poderia favorecer certos políticos em detrimento de outros. Isso acontece porque existem diferentes tipos de conexão eleitoral entre deputados. Não querendo me estender em argumentos técnicos, o voto distrital pode reforçar algum tipo de relação clientelística. Pequenos grupos teriam dificuldade em ser representados. A representação se daria em termos geográficos, o que apresenta, também, prós e contras. Enfim, é preciso ampliar o debate e tentar encontrar alguma solução para a já constatada distorção do voto proporcional com quociente eleitoral.

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