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Poder e Impunidade: Isto não dá certo…

Por Carlos Roberto Teixeira Netto

Raymundo Faoro publicou o livro “Os Donos do Poder” e pensei, olhando para nossa constituição, que o título melhor seria “Os Usurpadores do Poder”. Por que? Porque se estamos em um regime democrático, o poder emana do povo que o exerce através de seus representantes.  Mas, se esses “representantes” que acabam por não representar o povo, passando a representar a si mesmos e seus apaniguados, eles deixam de ser representantes do povo e passam a ser USURPADORES DO PODER!

O livro “Mentes Perigosas – O psicopata mora ao lado” de Ana Beatriz Barbosa Silva trouxe-me um melhor entendimento do que parece estar acontecendo aqui neste país e, com certeza, em outros com maior ou menor intensidade. A autora alerta sobre as pessoas que, infelizmente, são atraídas para o política, quando tantos se omitem.

Atentem ao que ela escreve:

“Ao contrário disso, seus atos criminosos não provêm de mentes adoecidas, mas sim de um raciocínio frio e calculista combinado com uma total incapacidade de tratar as outras pessoas como seres humanos pensantes e com sentimentos. Os psicopatas em geral são indivíduos frios, calculistas, inescrupulosos, dissimulados, sedutores e que visam apenas o benefício próprio. … são desprovidos de culpa ou remorso e, muitas vezes, revelam-se agressivos e violentos.”

“Os psicopatas representam a minoria da população mundial, porém são responsáveis por um grande rastro de destruição. Enquanto as pessoas “do mal” se unem na busca de interesses comuns, as pessoas do bem tendem a se dissipar. Ficam acuadas, trancafiadas, perdem a sua função social e de organização e acabam por adoecer.”

“A nossa sociedade vem banalizando o mal e contribuindo para a inversão dos valores morais. Isso cria um terreno fértil para que os psicopatas se sintam a vontade no exercício de suas habilidades destrutivas.”

Einstein: “O mundo é um lugar perigoso para se viver, não exatamente por causa das pessoas que são mas, mas por causa das pessoas que não fazem nada quanto a isso.”

“Podemos encontrar policiais que dirigem redes de prostituição, juízes que cometem os mesmos delitos que os réus – mas no julgamento os condenam com argumentações jurídicas impecáveis, banqueiros que disseminam falsos boatos econômicos na economia. Também, estão alguns líderes de seitas religiosas, que abusam sexualmente de seus discípulos, ou ainda políticos e homens de estado que só utilizam o poder em proveito próprio. Esses últimos costumam representar grandes perigos pelo tamanho do poder que podem deter… Poucos cargos permitem um exercício tão propício para atuação dos psicopatas… E o fato de terem um foro privilegiado quase lhes assegura de forma impune o exercício do poder com outros fins que não sejam os de servir aos interesses da nação… No Brasil, esse fenômeno torna-se mais gritante porque a impunidade funciona como uma doença crônica e deriva de um somatório que inclui um sistema policial deficitário, um aparelho judiciário emperrado e um código processual retrógrado. Esse fato pode ser facilmente verificado pelas inúmeras manchetes que diariamente noticiam os diversos crimes cometidos por maus políticos: lavagem de dinheiro público, formação de quadrilha, corrupção ativa e passiva, gestão fraudulenta, evasão de divisas, crime de peculato, desvio de recursos de obras publicas, envio ilegal de dinheiro ao exterior, crime contra a administração publica e por aí vai.”

Sergio Paulo Rigonatti, médico do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clinicas: “os estelionatários tem uma inteligência que é suficiente para enganar os outros, grande poder de sedução, frieza e falta de sentimentos de culpa”.

“Se isso ocorre é porque nossa sociedade está fundamentada em valores e práticas que, no mínimo, favorecerem a maneira psicopática de ser e viver. De certa forma, estamos contribuindo para promover uma cultura na qual a psicopatologia encontra um campo bastante favorável para florescer.”

“O objetivo maior da ideologia moderna era preservar a liberdade individual. No entanto, essa ênfase sobre a liberdade criou a grande contradição de nossos tempos: como estabelecer valores morais e éticos num mundo que prioriza as escolhas individuais?”

“A cultura do individualismo e o desejo de conseguir bem-estar material a qualquer custo têm provocado erosão dos laços afetivos dentro da nossa sociedade. Com isto virtudes como a honestidade, a reciprocidade e a responsabilidade com os demais caem em total descrédito. E assim, repletos de conforto e tecnologia, acabamos por nos tornar cada vez
mais sozinhos e menos comprometidos com nossos semelhantes. Sem sombra de dúvida, o cenário social dos nossos tempos favorece o estilo de vida do psicopata.”

“E o que dizer de nossa tolerância para com a corrupção? Chegamos ao ponto absurdo de concordar com frases do tipo: “fulano rouba, mas faz.” Isso representa a mais pura acomodação política que experimentamos em nossas vidas sociais. Será que acreditamos realmente que exista corrupção benigna? Claro que sabemos que isso não existe, mas tentamos criar justificativas idiotas para abrandar nossas turvas consciências. Sabemos distinguir claramente o que é certo do que é errado, no entanto preferimos relativizar essa questão para nos beneficiarmos das vantagens materiais das “pequenas” transgressões sociais.”

Ainda, do livro, extraí esses aspectos ligados aos sentimentos e relacionamentos comuns aos sociopatas:

  • Superficialidade e eloqüência
  • Abusam de termos técnicos e passam credibilidade
  • Não demonstram vergonha caso flagrados em mentiras
  • Profissionais da lorota
  • Egocentrismo e megalomania
  • Narcisistas
  • Vivem de acordo com suas próprias regras
  • Extremamente hábeis em culpar as outras pessoas por seus atos
  • Arrogantes, metidos e autoconfiantes
  • Não sentem qualquer embaraço sobre dívidas contraídas ou mesmo problemas de ordem legal.

Esta lista lhe faz lembrar, imediatamente, da classe política?

E, aí? O que fazer a  partir disso? Se não incentivarmos pessoas de bem para ingressar na política ela seguirá um campo sem concorrentes para psicopatas. É isto que você quer?

=== Mais uma psiquiatra com opinão semelhante:

Fátima Vasconcellos, chefe da Psiquiatria da Santa Casa da Misericórdia: “A única diferença é que, aqui, eu também incluiria os políticos na lista das carreiras com mais tendências.”

Fonte: Psicólogo lista carreiras que atraem psicopatas

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Outras referências que suportam esta abordagem:

Ponerologia

Psicopatas no trabalho – Como identificar e como agir

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PoderEImpunidade

 

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3 comentários em “Poder e Impunidade: Isto não dá certo…

  1. Vou ler o livro.
    Entretanto, acredito que pessoas de bem que se interessarem pela política logo estarão cooptados pelos sociopatas ou desistirão.
    Penso que a saída está no controle pela sociedade, buscando cada vez melhor governança. Já melhoramos bastante neste aspecto, a prova está nos jornais com os escândalos de todos os dias.
    Precisa ser acompanhada de punibilidade

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    1. Este controle tem que ser baseado nos “check and balances” dos poderes de uma verdadeira democracia. Sem isto, seguiremos sujeitos aos “coronelismos”, “patrimonialistas”, etc. E, cada vez com mais “apolitismo” que é uma verdadeira ameaça à Democracia.

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  2. Recebi de um colega este vídeo que vale a pena compartilhar em nossas redes. É verdade que corrupção existe em todos os países e, assombrem-se… aqui este “argumento” é usado como uma justificativa para corruptores e corruptos! Mas, a maneira com que a corrupção é tratada é que pode fazer a diferença no desenvolvimento para um país menos injusto.
    Aí vai o link: http://www.youtube.com/watch?v=Q5Ql1r1SKWA

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