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Quem são os políticos brasileiros? (Por Virgílio Lemos)

Reproduzo aqui um relato de um amigo com quem trabalhei anos atrás. É uma visão pessoal do processo de eleição de vereadores e a “carreira” que acaba acontecendo. Outro amigo sinalizou algo parecido, o candidato tem que ser “interessante” e de alguma forma chamar a atenção do eleitor. Não é pela competência e seriedade. Então é isto que temos que mudar! Ao longo dos anos vi a importância dos “militantes”, pessoas que corriam atrás de eleger seus candidatos, enquanto pessoas mais bem informadas ficavam com pudores de influenciar o voto dos outros. Como o voto é secreto, nem perguntam em quem o outro vai votar.

Creio que cada eleitor deve passar a se envolver nesta questão: não só identificar bons candidatos como incentivá-los, apoiá-los e depois, se eleitos, cobrá-los. Assim fazem os traficantes e os chefes de milícias em seus redutos, enquanto os cidadãos normais ficam cheio de pudores… Temos que mudar isto!

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Quem são os políticos brasileiros?

Virgilio Lemos (28/06/2013)

Por muito tempo eu votei numa cidade do interior do Estado do Rio de Janeiro, onde conhecia muita gente. Por ser local pequeno e, como a votação transcorria muito rapidamente, eu tinha bastante tempo para me dedicar a saciar uma curiosidade: saber os motivos que levaram as pessoas a votar em seus candidatos.

Durante vários anos eu repeti invariavelmente esta pergunta, sem me preocupar com nenhuma técnica de pesquisa e muito menos em computar estatisticamente os dados: Sem me dizer o nome do candidato, porque você votou nele? Eu só queria entender como as pessoas votam.

Na esmagadora maioria das vezes, a resposta denotava razões de interesses pessoais e não coletivos. Realmente era raro encontrar alguém que escolhia o candidato por julgá-lo mais competente ou mais comprometido com uma causa ou com o bem da coletividade.

Valia mais o melhoramento prometido fazer na sua rua, o emprego prometido para um parente ou até o fato de, por ser seu conhecido, julgá-lo mais acessível para buscar ajuda numa hora de necessidade.

Vi muitos candidatos bem preparados perderem por larga margem para outros sem a menor qualificação, por não serem igualmente conhecidos, ou até mesmo por terem o pudor de não prometerem o que não iriam cumprir, tornando-se então desinteressantes.

Cheguei logo à conclusão que os candidatos a vereador que tinham a maior chance de vencer eram aqueles que não trabalhavam ou que viviam de pequenos biscates, mas eram simpáticos e conhecidos de todos, por estarem sempre nos locais públicos, prontos para um bate papo, isto é, as pessoas populares. Eram quase sempre eles os eleitos.

O que me deixou chocado foi verificar que os vereadores mais “espertos” conseguiam rapidamente aprender a malandragem da “carreira” e se elegerem prefeito, para logo a seguir se candidatarem a deputados estaduais, deputados federais, governadores e senadores. Donde se concluí que eles constituem a base de formação dos políticos brasileiros.

Passados os anos, parei de fazer a pesquisa, já que minha curiosidade estava satisfeita, mas continuei a observar e verifiquei que, somando aos vagabundos e desqualificados que não conseguiam emprego, os candidatos com maiores chances eram os populares (ou famosos) por qualquer motivo: artistas, jogadores de futebol ou mesmo políticos antigos com destaque na mídia e já conhecidos do público e os também populares ativistas sindicais.

Um ponto em comum em nossos políticos: Para eles a política é a única “profissão” que tiveram ou a única onde conseguiram prosperar, pois é muito lucrativa. E, como é portanto um negócio pessoal, a mistura entre o público e o privado é inevitável e a corrupção é meio que usam para buscar os meios que vão custear as eleições seguintes necessárias para a manutenção da “empregabilidade”, como para formar um “fundo” que os sustentará, na hipótese de perderem as eleições.

Como são “farinha do mesmo saco”, não é de se estranhar que formem partidos sem identificação ideológicas e que as propostas sejam muito parecidas umas com as outras.  Muitas vezes só se diferenciam quando se juntam em “bancadas” que advogam interesse comuns.

Entendo que para melhorarmos a qualidade de nossos políticos é imperativo acabar com a “carreira” política, impondo períodos de inelegibilidade para quem deixar um cargo. Exigir alguma qualificação, como nível de escolaridade mínima e experiência anterior em alguma profissão não política também ajudaria bastante.

Fonte: http://www.naminhaopiniao.org/index.php/Quem-sao-os-politicos-brasileiros

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