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Direitos Humanos – o inferno é o outro? (Lucimar Borges)

Segue um texto de Lucimar Borges que ela publicou em seu Facebook e damos aqui uma maior divulgação. Mostra muito das rotulações que as pessoas dão umas às outras e da inapropriedade de fazê-lo.

O Brasil vive um momento muito delicado onde uma minoria que domina a política quer se manter no poder e faz de tudo para isto, inclusive disseminando ódio, informações falsas, usando de falácias, etc. Não podemos entrar neste jogo, não devemos nos deixar manipular.

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Texto de Lucimar Borges:

Não sei o que acontece neste nosso país para subvertermos a ordem de tal forma, que defender o errado é aplaudido e qualquer discordância é atacada com virulência, com deboche, rotulado: você é “coxinha”, “de direita”, e algumas outras coisas que a minha educação não me permite citar.

Há um grupo que clama somente para si o direito de ter idéias e governar. Mesmo que isso signifique atropelar o bom senso, o corpo de leis, a ética e a razão.

Não sei quem foi que decidiu que, para se defender direitos humanos, para se desejar que a lei seja cumprida e a Constituição respeitada, que haja oportunidades para todos, que as pessoas tenham acesso à saúde, educação, transporte, lazer, trabalho, com dignidade, se precisa ser de esquerda. E que os “de direita”, burguesia, medíocres, status quo, capitalistas selvagens, medíocres se importam apenas consigo mesmos…. quem foi que decidiu isso?

Muita falácia… muito populismo… não consigo entender tentar justificar tantos desmandos dizendo: – “Ah, mas eles ali do outro partido também fazem.” Ou como crianças: “ele fez primeiro”! Como se assim ficasse combinado que ninguém merece castigo! De onde veio essa distorção infame?! Arrancaram a pagina que define ética e verdade dos nossos dicionários?
Pois bem: não sou essa esquerda que está aí, nem a que veio antes, nem serei nada parecido, se vierem outras do gênero… vale dizer que também não sou esse bicho disforme que estão chamando de direita, atualmente: não acho que a auto-tutela é justificada porque o sistema está em crise, a polícia e/ou o judiciário não fazem seu trabalho e existem milhões de brechas legais que permitem a impunidade.

Não, não quero, nem vou adotar um bandido e trazê-lo para minha casa. Mas, não é por isso que quero ver pessoas tomando em suas próprias mãos “a justiça” e prendendo um rapaz num poste depois de espancá-lo – porque disseram que ele era um bandido, simplesmente porque era um bandido (?!). Também não quero ver barbáries dentro de presídios, transformando seres humanos que já perderam muito de sua humanidade, em algo desprezível e menor que animais.

Isso faz de mim o quê?

Se você for mal educado para responder, por favor, guarde para si o que pensa… tenho direito de discordar e me manifestar sobre esse estado caótico das coisas.Nunca faltei com o respeito porque alguém pensa diferente de mim – e tenho em meu círculo social e de amigos pessoais, gente que pensa muito diferente de mim! Mas vou ser veemente no meu direito de me posicionar e lutar pelo que acredito! Não, você não é obrigado a concordar comigo. Mas, se discordar, seja gentil e mantenha a elegância – faz parte de sermos pensantes e civilizados…

Mas, se for de perfil radical… Sim, pode me apedrejar, sou pelos Direitos Humanos! Sou, sim! Antes de mais nada, pergunto: não  deveríamos  ser simplesmente a favor da vida, rejeitando toda forma de crueldade? Vi milhões de postagens defendendo animais machucados e mal tratados – é, dizem que é porque eles não fazem mal a ninguém… Não consigo entender que a foto de animais torturados possa gerar mais comoção do que a foto de um ser humano espoliado, humilhado, torturado. Ou seja, o menor dos animais tem mais valor do que qualquer ser humano? É isso mesmo? …Pois é…não é isso que penso. A violência é desumana – não importa qual seja seu objeto ou vítima.  Isso faz de mim o que?” Coxinha”, esquerda maluca? Indecisa? Louca? iletrada, manipulada? alienada? Esses rótulos não me dizem nada. Me recuso a abrir mão da minha humanidade.

Olho para o mundo, para as notícias e é tudo muito assustador… o Brasil se torna um capítulo especial e exponencial de uma crise ética e de valores .

Na França, saem às ruas gritando “fora judeus” ( como se não tivéssemos vividos horrores da guerra e desse tipo de intolerância), em SP espancam um rapaz porque é gay, o mesmo acontece na Rússia,  no USA uma criança de 11 anos comete suicídio porque era fã de um programa  – sofreu tanto bullying,  que não resistiu e tirou a própria vida. Em Brasília, a bancada ruralista diz que as condições subumanas impostas a trabalhadores do campo não caracteriza trabalho escravo. Preciso citar a miséria em todos os níveis, no Maranhão?

Os partidos e candidatos se odeiam, se atacam. Depois se beijam e criam estratagemas milionários, levando dinheiro em maletas, roupas íntimas ou participando de grandes esquemas, montados pra impedir o rastreamento de recursos desviados – e se dão cobertura, para garantir que, se presos, sairão ilesos – para esse tipo de acordo infame, não importa a sigla do partido, vale a tal sopa de letrinhas… vale o “tamo junto”, no melhor estilo gangster das favelas, mas de terno e gravata… E com títulos e graduações… podemos amarrar esses no poste, também ? Ah, não, claro que não!

Faltam materiais, leitos, equipamentos e medicamentos em hospitais. Faltam merenda e material escolar  nas escolas….

Um Desembargador( sério ? mesmo?!) sugere a campanha “adote um preso”, transformando a defesa dos direitos humanos numa piada – colocando tudo num pacote embrulhado com a etiqueta “piegas, ridículo, idiótico”… uma jornalista apoia, em grande emissora, com veemência a ideia, como quem diz, “se você gosta dele, de bandido, leva pra casa!” Num apelo emocional e irracional que soa como música aos ouvidos de uma sociedade cansada de ser roubada, violada… e, imediatamente as pessoas pensam: “é, está com pena? Leva pra casa” … como se isso fosse a resposta, como se não fossem pagos bilhões em impostos para que o sistema e as prioridades fossem administradas por uma liderança política, devidamente eleita para fazer esse trabalho! Para trazer ordem e desenvolvimento ao paīs! Mas que está ocupada demais buscando formas fáceis de enriquecimento ilícito! Fazendo festas regadas a Romanee-Conti na França com recursos dos contribuintes, ou viajando com amante, mala cheia de dinheiro – público…

O mais interessante é que, após um julgamento e devido processo legal, os poucos políticos que foram presos não quiseram comer da comida da cadeia e uma cantina foi reformada para acomodá-los e para que ficassem isolados dos outros presos… pois é, mas quem é corrupto e participa de esquemas lesando o patrimônio público, roubou da saúde, da educação, do transporte, comprometeu o crescimento do país, roubando futuros postos de emprego… então é diretamente responsável por algumas crianças que vão permanecer na violência, no submundo e um dia estarão enchendo mais cadeias… no futuro bem próximo!

É, mas não tem problema: não receberam merenda ou carteira escolar quando crianças…. porque deveriam receber qualquer coisa agora, adultos, em estado meio selvagem, cheios de vícios, perversidades e doenças? algumas pessoas até sugerem: vamos usá-los para fazer testes em vez dos lindinhos ratinhos, pobrezinhos!  Os presos, eles sim, merecem ser torturados, desprezados e mortos… “bandido bom é bandido morto!” Soa bem, soa justiceiro, não? (só pra registrar, para os desavisados: estou sendo irónica!).

Já vejo algumas pessoas reduzindo meu texto e a essência do que digo porque ousei dizer que presidiários são melhores que ratinhos. Então, apesar de saber que não vai adiantar a ressalva, já antecipo: não sou a favor de crueldade contra animais. E muito menos contra seres humanos… Na verdade, me pergunto que tipo de mundo estamos construindo? Como é fácil perder o senso de humanidade… violência, mais violência, não é e nunca foi solução, senão geradora de mais problemas, ódios e desigualdades.

Não, não gosto de corrupção, de violência, de pessoas que são pagas com meus impostos e não fazem o seu trabalho, não gosto mesmo!

Não apoio e não escolho nenhuma dessas coisas! Aliás, quero muito removê-las de suas privilegiadas posições..

O que mais eu quero?

Que esses bilhões recolhidos aos cofres públicos se revertam em educação, em saúde, em postos de trabalho sem escravidão e com dignidade, que haja transporte público de qualidade e segurança nas ruas.

Quero que esses bilhões sejam investidos para que haja menos “monstros”na cadeia, quero prisões vazias, como na Holanda…quero escolas e universidades cheias, de professores e alunos!

Não, não sou nem esquerda, nem direita como se conceitua no Brasil.

Não, não sou centro, em cima do muro: sei muito bem o que quero na minha vida cidadã. E, tambēm,  o que não quero!

Esse discurso falido de direita/esquerda, de burguesia e capitalismo selvagem, de “coxinhas”, de “comunas” e “esquerda caviar” já deu pra mim! Isso é discurso de quem não quer mudar, de quem quer confundir e rotular.

O que é ético, legal, o correto não tem lado. Apenas é. O que é errado, fisiológico, corrupto também não tem.

Não me interessa quais foram as letrinhas partidárias que cometeram ilícito, que lesaram a nação… as mãos desse país – direita e esquerda – estão sujas de sangue. Cometeram crime contra esta geração. E estão numa clara tentativa de genocídio das próximas. Não sou essa direita distorcida, assim rotulada, nem essa esquerda que envolveu o país num mar de lama e escândalos. Sou brasileira. E isso que está aí, não é bonito. Não é democrático. Não é humano, não! E o Brasil que trabalha, que paga impostos, não merece esse cenário, esse descontrole!

O que está sendo ensinado aos nossos jovens e crianças? Que eles só precisam ser plasticamente bonitos, conviver com suas tribos e que está tudo bem se queimarem índios, prenderem bandidos no poste, lesarem o fisco, irem para um cargo público e não trabalharem, usarem suas posições e influência em benefício próprio? Que tudo bem se anestesiar vendo os “reality shows” e chorar no último capítulo das novelas – diga-se de passagem, muitas das vezes torcendo pro vilão se dar bem? E que o ” outro” é só uma palavra sem significado….não importam os outros….o inferno é o outro…é isso mesmo?

É…com certeza, isso não me representa, não!

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