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Carta da Aliança dos Movimentos ao Congresso Nacional

Divulgando…

INTEGRA DA CARTA DA ALIANÇA DOS MOVIMENTOS AO CONGRESSO NACIONAL

BRASÍLIA, 15 de abril de 2015

Às suas Excelências senhores Deputados Federais, senhores Senadores, senhor Presidente da Câmara dos Deputados e senhor Presidente do Senado.
A democracia brasileira está fragilizada. A República está em risco. E o povo brasileiro está farto.
O povo cansou do desrespeito e da incompetência de alguns políticos e governantes brasileiros, e exige mudanças já.
AS RAZÕES
Vivemos um quadro assustador de corrupção no seio dos poderes constituídos. A corrupção é histórica, sim, e nem por isso admissível. Há 12 anos, porém, ela se tornou sistêmica e se institucionalizou na máquina pública em níveis sem precedência, como nunca antes visto. Um câncer a comer as entranhas já podres do país. Os sucessivos escândalos nos órgãos e empresas públicas vêm à tona e envergonham a nação. Agravado pela impunidade reinante, nós, cidadãos brasileiros, vivemos uma sensação de desesperança. A justiça não consegue cumprir seu papel de forma neutra e sem interferências de outros poderes.

O Executivo, tentando proteger suas bases de apoio político, interfere no livre andamento das investigações que deveriam ser conduzidas imparcialmente pelo Judiciário. Quando passamos a acreditar que malfeitores pudessem ser penalizados, assistimos incrédulos ao tratamento privilegiado de políticos criminosos, que não mais se encontram onde deveriam estar: junto aos outros contraventores, presos. O Brasil, ao tratar de forma diferenciada políticos e trabalhadores, não conseguiu deixar de ser um país injusto.

A associação da corrupção à impunidade impede o Brasil de se tornar um país desenvolvido.
O povo brasileiro, cansado e indignado, quer dar um BASTA nisso.

A ineficiência da gestão pública é outro tumor maligno que adoece o país. É responsável por fazer do Brasil um país desigual, mais pobre e estagnado. O Brasil não suporta mais o inchamento, o amadorismo e o clientelismo das máquinas públicas, o conhecido “toma lá, dá cá”.

No plano federal, as contas não fecham.

A Lei de Responsabilidade Fiscal, depois de desrespeitada, foi alterada para acobertar o crime cometido pelo Governo Federal e pela Presidente.

Obras, quando finalizadas, são entregues a custos inaceitáveis, ofensivos para os reais financiadores, os contribuintes.

O excesso de servidores comissionados agride os cofres públicos e a mínima decência. Programas sociais são descontinuados.

Os que continuam têm um claro e explícito ar eleitoreiro.

Os programas sociais condenam os mais carentes à escravidão em lugar de promover-lhes o crescimento.

A lógica é da universalização dos benefícios e não das oportunidades.

A saúde vive eternamente na UTI.

Brasileiros morrem diariamente nas filas do SUS.

A violência urbana cresce em escalada incontida, principalmente nas periferias, matando principalmente crianças e adolescentes, que perdem a vida na guerra diária das drogas. Mais de 50.000 mortes violentas por ano denunciam a falência completa da ordem pública. É uma guerra não anunciada.

O sistema público educacional não consegue cumprir sua função maior de formar cidadãos conscientes de seus direitos e deveres. Não forma alunos preparados para ingressarem no ensino superior. Não capacita os jovens a serem profissionais qualificados. A economia enverga.

Os empregos somem. A inflação cresce. A moeda se desvaloriza. Administra-se por contingências – em um eterno apagar de incêndios. Aumentam-se as tarifas, os preços controlados e os impostos.

E o pior: para reparar seus maus feitos, o governo pede ao povo para pagar a conta da ineficiência.
Pagamos impostos a fundo perdido. Impostos que não voltam à sociedade na forma de serviços básicos de qualidade.

Tributos, que deveriam servir aos interesses e necessidades do povo, principalmente dos mais carentes e necessitados, são desviados, via corrupção, para enriquecimento próprio, para o populismo, para a conquista e manutenção de poder.

O governo federal está sem rumo. O povo brasileiro, farto e escorraçado, quer dar um BASTA nisso.

No campo da moralidade, a ética e a decência desapareceram. A mentira passou a ser procedimento costumeiro nos pronunciamentos do governo federal à nação. A trama da manipulação de dados é um aliado habitual para justificar os consecutivos erros.

Contabilidade criativa é o eufemismo que se usa para explicar o injustificável. Não existe transparência nos atos e nas contas. Não existe por parte do governo o reconhecimento dos equívocos e de suas fragilidades. Não existe pudor.

A falta de vergonha com que se diz a mentira como se fosse verdade é cínica e abusiva. Assustadoramente, criamos uma geração de crianças e jovens que assistem à mentira como padrão de comportamento de governantes, geralmente acompanhados de enriquecimento pessoal.

Exemplo maior ocorreu nas eleições de 2014, quando a presidente Dilma Roussef deflagrou o mais escancarado estelionato eleitoral da história do Brasil. O partido do governo, além de ser conivente com estas práticas, trata seus membros criminosos como ídolos, e continua a lhes atribuir poder.

O Partido dos Trabalhadores teve 13 anos de poder para mudar o Brasil, conforme prometeu em sua carta ao povo brasileiro em 2002. Ele recebe agora, do mesmo povo, uma carta que repudia a situação na qual o país foi deixado.

O povo brasileiro, desrespeitado e inconformado, quer dar um BASTA nesse estilo ilegal, ilegítimo e antiético de fazer política.

Esconde-se do povo inaceitáveis associações internacionais que ameaçam a democracia. O governo brasileiro patrocina, através de supostos investimentos e aberta ideologia partidária, países totalitários e populistas, organizados através do Foro de São Paulo. Este clube reúne todos os partidos de extrema esquerda da América Latina e Caribe, além de possuir visíveis indícios da participação de organizações criminosas e terroristas, como as FARC. O ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva, com forte influência no atual governo para o qual fez campanha, vem há anos, neste clube, idolatrando as práticas de líderes totalitários, entre outros da Venezuela, como Hugo Chavez e Nicolas Maduro.
O povo brasileiro não mais ignora este projeto, e educa-se politicamente para discernir o certo do errado.

Quem deveria resolver estes graves problemas do Brasil?

A REPRESENTATIVIDADE

Como representantes constituídos pela sociedade, resta a Suas Excelências o DEVER de atuar na solução destes problemas.
A trágica realidade brasileira, agravada por um sistema político com fortes traços populistas, e que não tem a sociedade como principal beneficiária, vem há uma década indignando o povo brasileiro, que não mais aceita ser apenas um coadjuvante no projeto do governo.

E O POVO ACORDA
Cansados deste cenário frustrante, ao longo dos últimos anos, vários movimentos democráticos e apartidários lideram nas redes sociais campanhas maciças de conscientização do povo para as grandes questões políticas e sociais.

Em 2013, grupos saíram às ruas em protesto contra atos do governo federal, da classe política e do judiciário. Diante da situação que passou de grave a inaceitável, a partir de outubro de 2014 movimentos passaram a sair às ruas de forma consistente e organizada. Até fevereiro de 2015, foram seis manifestações de massa, e vários atos públicos simbólicos em dezenas de cidades por todo o país.

Diante da ausência de resposta do governo e do Congresso, em março e abril de 2015, num espaço de quatro semanas, o povo saiu às ruas nas duas maiores manifestações espontâneas da história da América Latina. Elas ocorreram em mais de 450 cidades por todo o Brasil, em todas as regiões. Trouxeram às ruas mais de três milhões de brasileiros de todas as classes sociais, indignados com o desrespeito do governo e da classe política.

A voz das ruas é uníssona:

  • desaprovação ao governo federal;
  • solicitação de julgamento neutro e condenação de todos os envolvidos em crimes de corrupção;
  • repúdio e revolta às manobras descomprometidas com a justiça e a verdade, protagonizadas por membros da mais alta corte da justiça brasileira.

Os históricos protestos, mesmo envolvendo milhões de pessoas, foram pacíficos, democráticos, cívicos e ordeiros. O povo vem às ruas na esperança de ter sua voz e seus pleitos ouvidos por aqueles que constitucionalmente estão na condição de representantes de seus interesses. Verdade legal que, hoje, desperta dúvida real, uma vez que o próprio representante que não dá a devida atenção a tais pleitos, põe em questionamento tal legitimidade.

Note-se que para cada uma das grandes manifestações de março e abril o Governo Federal e o Partido dos Trabalhadores também chamaram, em datas próximas, seus simpatizantes para virem às ruas. Em março, o número de pessoas pró governo foi 40 vezes menor que os manifestantes contra o governo. Em abril foi 100 vezes menor e, acompanhado de violência.

A proporção entre os movimentos de rua pró e contra governo demonstra o sentimento e o posicionamento da sociedade diante da grave situação política, econômica e ética do país. Diante disso, os representantes do povo devem agir.

PROPOSTAS CONCRETAS
Atendendo a urgência que o momento exige, viemos neste instante apresentar ao Congresso Nacional a primeira pauta de reivindicações da agenda construtiva para um novo Brasil:

1) Enfrentamento real da Corrupção através do fim da impunidade
a) Aprovar, prioritariamente, as 10 medidas de combate à corrupção apresentadas pelo MPF;
b) Submeter os acordos de leniência à anuência do Ministério Público;
c) Apoiar incondicionalmente o Juiz Sergio Moro, o Ministério Público Federal, e a Polícia Federal nas investigações da Operação Lava Jato;
d) Agravar as penas para corrupção, aprovando-se o projeto de lei 915, que cria o crime de Lesa Pátria;
e) Fortalecer a Polícia Federal para combater a corrupção;
f) Indicar servidores concursados, de carreira, idôneos, com amplo reconhecimento e competência comprovada para os cargos do STF, STJ, TCU, STM, MPF e TSE, com prazo de mandato definido e com posterior quarentena;
g) Senado exercer papel de controle efetivo da capacidade dos indicados acima, por meio de sabatina, com critérios objetivos de imparcialidade, convidando técnicos da OAB, CNJ e MPF para compor o grupo avaliador;
h) Implementar eleições diretas por entidades representativas para escolha dos Procuradores Gerais, com o fim de listas tríplices e escolhas arbitrárias pelo chefe do Executivo;
g) Afastar o Ministro Dias Toffoli do STF e TSE por não atender ao critério de imparcialidade.

2) Presidência da República
a) Pedir ao STF e ao Procurador Geral da República a abertura de investigação por crime comum da cidadã Dilma Vana Roussef;
b) Apreciar com transparência os pedidos de impeachment contra a presidente Dilma Roussef apresentados ao Congresso.

3) Choque de ordem e transparência na gestão pública
a) Abertura total dos contratos de empréstimos realizados pelo BNDES, fim de empréstimos do BNDES a outros países e a empresas doadoras em eleições. Rejeição da MP 661;
b) Reduzir o número de ministérios, o número de cargos comissionados e o tamanho da máquina pública;
c) Transparência nas contas de todas as empresas públicas ou com participação societária do estado brasileiro;
d) Total transparência e redução dos gastos de parlamentares e governantes, incluindo os cartões de crédito governamentais;
e) “Revalida” para todos os médicos estrangeiros atuando no Brasil;
f) Redução e simplificação dos impostos.

4) Educação
a) Qualidade total na educação básica, sendo a mesma universal e meritocrática;
b) Fim da doutrinação ideológica e partidária nas escolas. Aprovação do PL 867/2015, “Escola Sem Partido”.

5) Ajustes no processo político eleitoral
a) Maior justiça, legitimidade e representatividade nas eleições pela implantação do Voto Distrital;
b) Eleições com registro eletrônico e impresso do voto, auditáveis por empresa idônea e partidos;
c) Revisão do financiamento público de campanhas. O Estado não suporta mais patrocinar a atual farra eleitoral;
d) Mandato único – Fim de reeleição para todos os cargos executivos.
É importante frisar que novas pautas serão apresentadas e outras complementadas, nas próximas semanas, vindas do diálogo com as ruas, e conduzidas pelos vários movimentos democráticos, ressaltando que repudiamos qualquer tipo de controle da mídia ou limitação na liberdade de expressão irrestrita de todo e qualquer brasileiro.

O POVO QUER AÇÕES, NÃO PROMESSAS
A expectativa do povo brasileiro é que o Congresso Nacional não os abandone em seu dever moral e constitucional, encaminhe e execute estas demandas do povo brasileiro. Cada parlamentar, individualmente, deve se comprometer publicamente com o povo a promover esta execução de forma sistemática e organizada, com agenda e pauta e encaminhar as demandas com a rapidez que o momento exige. Não queremos discursos, nem promessas. Queremos ação efetiva em busca de soluções que signifiquem avanços políticos e sociais para o Brasil através dessas demandas. Queremos proatividade, rapidez, objetividade e determinação em executá-las.
As bases para a construção de um novo presente e futuro para nossa nação estão lançadas. Elas levarão nosso país para onde os brasileiros já mereciam estar há muito tempo.
Acabou-se o tempo do conformismo. Os trabalhadores brasileiros não mais tolerarão políticos que governam para causas próprias. Não mais assistirão impassíveis às manobras que visam a manutenção do poder. Não mais aceitarão um governo mentiroso.
BASTA de desrespeito.

Estaremos atentos às ações do Congresso a partir de hoje, para observarmos qual a prioridade que ele dará à execução expressa das reivindicações das ruas. Estaremos igualmente atentos às ações do Executivo e do Judiciário, que têm papel de protagonismo em várias das reivindicações apresentadas. Os resultados efetivos que os três poderes atingirem na execução das demandas apresentadas levarão os brasileiros a decidir como proceder daqui para frente.

Os Movimentos de rua que aglutinaram milhões de brasileiros indignados, continuarão a atuar quando necessário, seja em caráter de massa ou local, sempre de forma ordeira, constitucional, e incisiva.
Exigimos um país politicamente mais ético, economicamente mais forte, socialmente mais justo. Não aceitaremos nada menos do que isso.

Um Brasil do qual seu povo, nesta e nas próximas gerações, possa finalmente se orgulhar.

Brasília-DF, 15/04/2015

Movimentos signatários:
Avança Brasil – Mudança Já
Basta Brasil
Brava Gente Brasileira
Chega de Impostos
Diferença Brasil
Eu Amo o Brasil
Instituto Democracia e Ética
Movimento 31 de Julho
Movimento Acorde
Movimento Brasil Contra a Corrupção
Movimento Cariocas Direitos
Movimento Cidadania Brasil
Movimento Fora Dilma
Movimento Jovens Transformadores
Movimento Guarulhos Livre
Movimento Muda Brasil
Movimento Pró Brasil
Movimento Quero Me Defender
Movimento Voz do Brasil
Muda Brasil
Nação Digital
Nas Ruas
Organização Contra a Corrupção
Pátria Livre
Reage Brasil
Vem Pra Rua

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Liberalismo vs. Socialismo (Sergio Luiz Bragatto)

No intervalo do cafezinho no escritório, um funcionário comenta que ‘Eu e meu irmão conhecemos todas as ruas de São Paulo pelo nome’. Um outro retruca ‘Fantástico isso! Então diga, onde fica a Rua Madre Theodora?’ A resposta vem imediata: ‘Esta meu irmão é quem sabe’!
Esta velha piada é exemplar para uma questão que interessa muito à Filosofia. Trata-se do uso da conjunção “e” no vernáculo. Em várias línguas o mesmo problema ocorre: a interpretação do “e” depende do contexto. O mesmo acontece com “ou” e inúmeras outras. Se palavras corriqueiras, que usamos no dia a dia, podem ter significados diferentes, é fácil perceber porque nas ciências é necessário adotar outras linguagens, como é o caso na lógica, na matemática. Mas os contextos de emprego das palavras de uso diário normalmente permitem que a intenção no uso seja corretamente apreendida, com exceção de alguns casos, como na piada acima.

Já o caso das palavras de significado complexo não é tão fácil, e resta muita confusão, não raro aproveitada consciente ou inconscientemente pelos que se pautam por profecias para engrupir uns e outros.

É o que se dá justo com a palavra Ideologia, um termo que na origem tem um sentido preciso com Hegel e Marx, mas que hoje é muitas vezes mal empregado – por exemplo, como sinônimo de ideário, o que é fonte de equívocos. Quantas vezes ouvimos um socialista papaguear algo do tipo ‘ … você tem de ter uma ideologia, sem ideologia você não tem nada.’ Ou então ‘ cooomo, você não é nem de esquerda nem de direita??? ‘. A totalidade dos socialistas que encontrei não soube dizer o que é ideologia. Mas papagueia pela cartilha.

A calhar vem a nosso auxílio neste momento o professor de filosofia e ética da Unicamp Roberto Romano [vindo “da esquerda”, e ele como filósofo tem obrigação de saber], por ocasião dos ataques do PCC em São Paulo, [lembram? O PCC então brandia nas ruas justificativas socialistas para queimar ônibus, passadas diretamente a eles por ativistas políticos da extrema esquerda],numa entrevista ao estadão ‘ [descreveu] ideologia como discursos e representações que apresentam uma realidade complexa com enunciados simplistas, investindo contra os fatos em benefício próprio. E acrescentou: “Já disseram que os criminosos de Shakespeare seriam muito piores se tivessem uma ideologia. E isso é uma verdade.” (oesp 13-08-2006)’

Mas o caso de ideologia é simples, se comparado com liberalismo, que tem muitas diferentes acepções.

Os EUA são um país liberal. No momento em que dizem isso, até os americanos sabem que não se referem aos Democrats, mas ao liberal que consta na expressão democracia representativa liberal. No entanto,  complicando muito a situação, nos EUA os adeptos do partido Democratic se dizem professar o liberalismo, sem mais, quando deveriam dizer liberalismo político, e os jornalistas americanos adotam esse hábito. [Isto não ocorre nos demais países de língua inglesa.] E os EUA são muito influentes, a confusão diária dos jornalistas brasileiros em cima disso é uma contínua piada, principalmente quando mal traduzem textos publicados pela imprensa americana.

Para evitar a ambiguidade, Popper adotou a expressão Sociedade Aberta, cujas ideias desenvolveu em profundidade na sua obra mais universal e acessível, “A Sociedade Aberta e seus Inimigos”. As ideias é que importam, e não as definições [pelo caminho linguístico], como ele sempre fez questão de pontuar. [para não ter o mesmo triste fim na mão dos nacional-socialistas no entre-guerra que tiveram vários parentes próximos seus, migrou para a Nova Zelandia, e teve de aprender um inglês impecável para sobreviver; ele conta como isso o ajudou a se libertar das armadilhas linguísticas, por ele muito estudadas – escreveu A Sociedade Aberta direto em um inglês muito elogiado por acadêmicos da língua; de fato, a obra flui com uma clareza notável]

Sem dúvida a melhor fonte para entender o liberalismo da democracia representativa liberal a meu ver é esta obra de Popper. Este liberal refere-se à Liberdade do indivíduo que vive em sociedade, seu conceito, suas razões, suas limitações, suas implicações. Popper seca o assunto, não há posicionamento relevante dos pensadores a respeito que ele não apresente de maneira muito clara, da Grécia Antiga até hoje. Abaixo, um pequeno excerto, em que ele se refere a protecionismo e liberalismo:

. . . .The view of the state which I have sketched here may be called ‘protectionism’. The term ‘protectionism’ has often been used to describe tendencies which are opposed to freedom. Thus the economist means by protectionism the policy of protecting certain industrial interests against competition; and the moralist means by it the demand that officers of the state shall establish a moral tutelage over the population. Although the political theory which I call protectionism is not connected with any of these tendencies, and although it is fundamentally a liberal theory, I think that the name may be used to indicate that, though liberal, it has nothing to do with the policy of strict non-intervention (often, but not quite correctly, called ‘laissez faire’). Liberalism and state-interference are not opposed to each other. On the contrary, any kind of freedom is clearly impossible unless it is guaranteed by the state 42. A certain amount of state control in education, for instance, is necessary, if the young are to be protected from a neglect which would make them unable to defend their freedom, and the state should see that all educational facilities are available to everybody. But too much state control in educational matters is a fatal danger to freedom, since it must lead to indoctrination. As already indicated, the important and difficult question of the limitations of freedom cannot be solved by a cut and dried formula. And the fact that there will always be borderline cases must be welcomed, for without the stimulus of political problems and political struggles of this kind, the citizens’ readiness to fight for their freedom would soon disappear, and with it, their freedom. (Viewed in this light, the alleged clash between freedom and security, that is, a security guaranteed by the state, turns out to be a chimera. For there is no freedom if it is not secured by the state; and conversely, only a state which is controlled by free citizens can offer them any reasonable security at all.). . . .

liberalismo coloca o indivíduo acima da sociedade, considera deveres do Estado defender os direitos do indivíduo, e combater os privilégios de pessoas e de grupos, particularmente os do poder econômico e do governo da vez. Reconhece o mérito como fator importante do desenvolvimento, e considera o Estado como detentor do monopólio da violência.

socialismo coloca a sociedade acima do indivíduo através do seu coletivismo, e coloca a profecia do Marx, que teria descoberto o enigma da História [nas suas próprias palavras], como um dever a cumprir. O Estado, no fim do processo percorrido na sua metodologia, é desnecessário, e uma classe única deve persistir. [até a falência do socialismo na queda do muro, a nomenklatura só fez aumentar em tamanho e corrupção]

A partir da implantação da democracia representativa liberal, que não cessa de evoluir, o grande sucesso levou inúmeros países a adotá-la. Mas este sucesso também exacerbou o rancor dos socialistas, o que tem causado grande sofrimento aos povos onde o socialismo ainda rege. E mesmo onde o país não é socialista no papel, mas o governo de plantão reze pelo socialismo socialista.

Não há gurus, não há almoço grátis.

Sérgio Luiz Bragatto, Engenheiro de Eletrônica formado em 1966 no Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), com mestrado em Sistemas de Controle e especialização em Eletrônica de Potência.

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Direitos Humanos – o inferno é o outro? (Lucimar Borges)

Segue um texto de Lucimar Borges que ela publicou em seu Facebook e damos aqui uma maior divulgação. Mostra muito das rotulações que as pessoas dão umas às outras e da inapropriedade de fazê-lo.

O Brasil vive um momento muito delicado onde uma minoria que domina a política quer se manter no poder e faz de tudo para isto, inclusive disseminando ódio, informações falsas, usando de falácias, etc. Não podemos entrar neste jogo, não devemos nos deixar manipular.

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Texto de Lucimar Borges:

Não sei o que acontece neste nosso país para subvertermos a ordem de tal forma, que defender o errado é aplaudido e qualquer discordância é atacada com virulência, com deboche, rotulado: você é “coxinha”, “de direita”, e algumas outras coisas que a minha educação não me permite citar.

Há um grupo que clama somente para si o direito de ter idéias e governar. Mesmo que isso signifique atropelar o bom senso, o corpo de leis, a ética e a razão.

Não sei quem foi que decidiu que, para se defender direitos humanos, para se desejar que a lei seja cumprida e a Constituição respeitada, que haja oportunidades para todos, que as pessoas tenham acesso à saúde, educação, transporte, lazer, trabalho, com dignidade, se precisa ser de esquerda. E que os “de direita”, burguesia, medíocres, status quo, capitalistas selvagens, medíocres se importam apenas consigo mesmos…. quem foi que decidiu isso?

Muita falácia… muito populismo… não consigo entender tentar justificar tantos desmandos dizendo: – “Ah, mas eles ali do outro partido também fazem.” Ou como crianças: “ele fez primeiro”! Como se assim ficasse combinado que ninguém merece castigo! De onde veio essa distorção infame?! Arrancaram a pagina que define ética e verdade dos nossos dicionários?
Pois bem: não sou essa esquerda que está aí, nem a que veio antes, nem serei nada parecido, se vierem outras do gênero… vale dizer que também não sou esse bicho disforme que estão chamando de direita, atualmente: não acho que a auto-tutela é justificada porque o sistema está em crise, a polícia e/ou o judiciário não fazem seu trabalho e existem milhões de brechas legais que permitem a impunidade.

Não, não quero, nem vou adotar um bandido e trazê-lo para minha casa. Mas, não é por isso que quero ver pessoas tomando em suas próprias mãos “a justiça” e prendendo um rapaz num poste depois de espancá-lo – porque disseram que ele era um bandido, simplesmente porque era um bandido (?!). Também não quero ver barbáries dentro de presídios, transformando seres humanos que já perderam muito de sua humanidade, em algo desprezível e menor que animais.

Isso faz de mim o quê?

Se você for mal educado para responder, por favor, guarde para si o que pensa… tenho direito de discordar e me manifestar sobre esse estado caótico das coisas.Nunca faltei com o respeito porque alguém pensa diferente de mim – e tenho em meu círculo social e de amigos pessoais, gente que pensa muito diferente de mim! Mas vou ser veemente no meu direito de me posicionar e lutar pelo que acredito! Não, você não é obrigado a concordar comigo. Mas, se discordar, seja gentil e mantenha a elegância – faz parte de sermos pensantes e civilizados…

Mas, se for de perfil radical… Sim, pode me apedrejar, sou pelos Direitos Humanos! Sou, sim! Antes de mais nada, pergunto: não  deveríamos  ser simplesmente a favor da vida, rejeitando toda forma de crueldade? Vi milhões de postagens defendendo animais machucados e mal tratados – é, dizem que é porque eles não fazem mal a ninguém… Não consigo entender que a foto de animais torturados possa gerar mais comoção do que a foto de um ser humano espoliado, humilhado, torturado. Ou seja, o menor dos animais tem mais valor do que qualquer ser humano? É isso mesmo? …Pois é…não é isso que penso. A violência é desumana – não importa qual seja seu objeto ou vítima.  Isso faz de mim o que?” Coxinha”, esquerda maluca? Indecisa? Louca? iletrada, manipulada? alienada? Esses rótulos não me dizem nada. Me recuso a abrir mão da minha humanidade.

Olho para o mundo, para as notícias e é tudo muito assustador… o Brasil se torna um capítulo especial e exponencial de uma crise ética e de valores .

Na França, saem às ruas gritando “fora judeus” ( como se não tivéssemos vividos horrores da guerra e desse tipo de intolerância), em SP espancam um rapaz porque é gay, o mesmo acontece na Rússia,  no USA uma criança de 11 anos comete suicídio porque era fã de um programa  – sofreu tanto bullying,  que não resistiu e tirou a própria vida. Em Brasília, a bancada ruralista diz que as condições subumanas impostas a trabalhadores do campo não caracteriza trabalho escravo. Preciso citar a miséria em todos os níveis, no Maranhão?

Os partidos e candidatos se odeiam, se atacam. Depois se beijam e criam estratagemas milionários, levando dinheiro em maletas, roupas íntimas ou participando de grandes esquemas, montados pra impedir o rastreamento de recursos desviados – e se dão cobertura, para garantir que, se presos, sairão ilesos – para esse tipo de acordo infame, não importa a sigla do partido, vale a tal sopa de letrinhas… vale o “tamo junto”, no melhor estilo gangster das favelas, mas de terno e gravata… E com títulos e graduações… podemos amarrar esses no poste, também ? Ah, não, claro que não!

Faltam materiais, leitos, equipamentos e medicamentos em hospitais. Faltam merenda e material escolar  nas escolas….

Um Desembargador( sério ? mesmo?!) sugere a campanha “adote um preso”, transformando a defesa dos direitos humanos numa piada – colocando tudo num pacote embrulhado com a etiqueta “piegas, ridículo, idiótico”… uma jornalista apoia, em grande emissora, com veemência a ideia, como quem diz, “se você gosta dele, de bandido, leva pra casa!” Num apelo emocional e irracional que soa como música aos ouvidos de uma sociedade cansada de ser roubada, violada… e, imediatamente as pessoas pensam: “é, está com pena? Leva pra casa” … como se isso fosse a resposta, como se não fossem pagos bilhões em impostos para que o sistema e as prioridades fossem administradas por uma liderança política, devidamente eleita para fazer esse trabalho! Para trazer ordem e desenvolvimento ao paīs! Mas que está ocupada demais buscando formas fáceis de enriquecimento ilícito! Fazendo festas regadas a Romanee-Conti na França com recursos dos contribuintes, ou viajando com amante, mala cheia de dinheiro – público…

O mais interessante é que, após um julgamento e devido processo legal, os poucos políticos que foram presos não quiseram comer da comida da cadeia e uma cantina foi reformada para acomodá-los e para que ficassem isolados dos outros presos… pois é, mas quem é corrupto e participa de esquemas lesando o patrimônio público, roubou da saúde, da educação, do transporte, comprometeu o crescimento do país, roubando futuros postos de emprego… então é diretamente responsável por algumas crianças que vão permanecer na violência, no submundo e um dia estarão enchendo mais cadeias… no futuro bem próximo!

É, mas não tem problema: não receberam merenda ou carteira escolar quando crianças…. porque deveriam receber qualquer coisa agora, adultos, em estado meio selvagem, cheios de vícios, perversidades e doenças? algumas pessoas até sugerem: vamos usá-los para fazer testes em vez dos lindinhos ratinhos, pobrezinhos!  Os presos, eles sim, merecem ser torturados, desprezados e mortos… “bandido bom é bandido morto!” Soa bem, soa justiceiro, não? (só pra registrar, para os desavisados: estou sendo irónica!).

Já vejo algumas pessoas reduzindo meu texto e a essência do que digo porque ousei dizer que presidiários são melhores que ratinhos. Então, apesar de saber que não vai adiantar a ressalva, já antecipo: não sou a favor de crueldade contra animais. E muito menos contra seres humanos… Na verdade, me pergunto que tipo de mundo estamos construindo? Como é fácil perder o senso de humanidade… violência, mais violência, não é e nunca foi solução, senão geradora de mais problemas, ódios e desigualdades.

Não, não gosto de corrupção, de violência, de pessoas que são pagas com meus impostos e não fazem o seu trabalho, não gosto mesmo!

Não apoio e não escolho nenhuma dessas coisas! Aliás, quero muito removê-las de suas privilegiadas posições..

O que mais eu quero?

Que esses bilhões recolhidos aos cofres públicos se revertam em educação, em saúde, em postos de trabalho sem escravidão e com dignidade, que haja transporte público de qualidade e segurança nas ruas.

Quero que esses bilhões sejam investidos para que haja menos “monstros”na cadeia, quero prisões vazias, como na Holanda…quero escolas e universidades cheias, de professores e alunos!

Não, não sou nem esquerda, nem direita como se conceitua no Brasil.

Não, não sou centro, em cima do muro: sei muito bem o que quero na minha vida cidadã. E, tambēm,  o que não quero!

Esse discurso falido de direita/esquerda, de burguesia e capitalismo selvagem, de “coxinhas”, de “comunas” e “esquerda caviar” já deu pra mim! Isso é discurso de quem não quer mudar, de quem quer confundir e rotular.

O que é ético, legal, o correto não tem lado. Apenas é. O que é errado, fisiológico, corrupto também não tem.

Não me interessa quais foram as letrinhas partidárias que cometeram ilícito, que lesaram a nação… as mãos desse país – direita e esquerda – estão sujas de sangue. Cometeram crime contra esta geração. E estão numa clara tentativa de genocídio das próximas. Não sou essa direita distorcida, assim rotulada, nem essa esquerda que envolveu o país num mar de lama e escândalos. Sou brasileira. E isso que está aí, não é bonito. Não é democrático. Não é humano, não! E o Brasil que trabalha, que paga impostos, não merece esse cenário, esse descontrole!

O que está sendo ensinado aos nossos jovens e crianças? Que eles só precisam ser plasticamente bonitos, conviver com suas tribos e que está tudo bem se queimarem índios, prenderem bandidos no poste, lesarem o fisco, irem para um cargo público e não trabalharem, usarem suas posições e influência em benefício próprio? Que tudo bem se anestesiar vendo os “reality shows” e chorar no último capítulo das novelas – diga-se de passagem, muitas das vezes torcendo pro vilão se dar bem? E que o ” outro” é só uma palavra sem significado….não importam os outros….o inferno é o outro…é isso mesmo?

É…com certeza, isso não me representa, não!

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Ainda… sobre a questão dos médicos

Por Carlos Roberto Teixeira Netto

HopitaisFIFA

Atualizando…. Este tema foi motivo de reportagem da BAND, em 17/03/2015 : Mais Médcos – Acordo Com Cuba foi Mascarado onde ficou claro tudo que qualquer pessoa que pensa já atinava.

A cada dia tenho me informado mais a respeito e a cada dia fico mais assustado com tudo isto. Explico…

Há 10 anos, portanto, em 2003, o deputado Arlindo Chinaglia do PT/SP apareceu com uma proposta de um PL 65/2003 que proibia não só criação de novos cursos de medicina como proibia a criação de novas vagas nos cursos existente. E… isto para os próximos dez anos. Ou seja, estaria terminando este prazo por agora, em 2013. Este PL ficou parado em alguma gaveta deste “brilhante” congresso.

http://www.camara.gov.br/proposicoesWeb/fichadetramitacao?idProposicao=104485

Foi aprovado na CCJ em 2007 (link: CCJ aprova projeto que proíbe novos cursos de Medicina)

O PL não ter sido aprovado é irrelevante porque o que interessa são os resultados. Tentaram fazer uma lei, mas como estão no governo podem quase tudo e não precisam de uma lei para efetivar essas ações, bastam segurar os pedidos para o MEC e/ou manter os cofres fechados para que recursos não financiem esta necessidade do povo. Pergunta:

O deputado estava atuando como lobista de entidades da classe médica, que estão sendo agora criticadas??? Sim ou não?

Se sim, a responsabilidade é do PT.

Se não… seria negligência, imprudência, imperícia ou intencionalidade do PT?

A lambança foi feita, perdoe-me a linguagem.

Como dizia um amigo referindo-se a uma piada onde dois grupos discutiam se a zebra era branca ou era preta… Alguém chega e pergunta: “onde está a tinta para que acabe de pintar”. Tanto o estado como as entidades de classe tem que se ouvir, se comunicar, se entender e definir soluções a curto, médio e longo prazo. É demais! Sofrem mais os que já mais sofrem!

O governo é ou deveria ser o responsável por exercer o controle e fiscalização do uso dos recursos para a saúde (infra-estrutura, equipamentos, materiais, medicamentos, etc.) , bem como da qualidade dos serviços.

Como estamos com isto??? Vejamos:

Saúde investiu apenas 26,2% do orçado para 2013

Dilma veta criação de cargos para fiscalizar o SUS

SUS desativou quase 13 mil leitos entre 2010 e 2013

Tenho me debatido entre saber se esta lambança é por incompetência ou é intencional. Se for intencional é CRIME de lesa-pátria ou crime contra a humanidade, pode escolher.

Dez anos depois daquela proposta de um deputado petista Arlindo Chinaglia, MÉDICO, FUNDADOR DO PT, presidente da câmara dos deputados (2007/2009), lider do governo na câmara…

Faltam médicos no Brasil!!!

Não só faltam médicos como temos um problema seríssimo de distribuição.

E… Não é só isto. Os hospitais caem aos pedaços, falta equipamento, falta material, faltam leitos, etc…

Pronto!!!

A brilhante presidente e seu escudeiro, ministro da saúde, Alexandre Padilha têm a solução!

IMPORTAR MÉDICOS CUBANOS!!!

Já disse e repito, tiro o chapéu para esta organização globalizada na área de terceirização dos serviços de saúde que batem de longe os detestados planos de saúde com suas explorações tanto dos médicos como de seus assegurados com mensalidades escorchantes: O GRUPO CASTRO.

Conseguiram formar médicos que lá recebem menos que um mecânico ou uma cabelereira, pois como poderia ser diferente uma ilha com 11 milhões de habitantes ter mais de 7 médicos por mil?

Os irmãos Castros empreenderam, na melhor maneira capitalista, uma fonte de renda maior do que o turismo: a exportação de médicos para o mundo.

Temos médicos cubanos espalhados pelo mundo. Mérito desta visão estratégica dos Castros!

Cuba quer aumentar exportação de médicos

Se são tão competente, por que não passar pelo Revalida? Ah… isto é coisa de cartório de entidades médicas. Mas qual o problema? É porque não passariam? Estranho, não?

Para mim não há dúvida, o governo está preferenciando esta “solução”, pois dará alívio tanto ao regime combalido de uma ditadura que já passa dos 50 anos e também poderá acolher mais de 100 médicos brasileiros por ano que vão a Cuba fazer seu curso de medicina (que aqui ficaram restritos, lembra-se?). Esses últimos são egressos de MSTs, filiados do PT, etc. e poderão voltar e ter um excelente salário (pagando 10% ao PT, como a IURD???).

Claro que isto não é solução a longo prazo para a saúde dos que dependem do SUS, mas quem se importa? Eu me importo.

Assista este vídeo a seguir, um depoimento do médico cubano Carlos Rafael Jorge Jimenez (TV Câmara).

Link: http://youtu.be/_dUTJ8kNSTk

Poderia ser mais claro???

Dá uma tristeza quando este senhor se refere ao governo de Cuba como uma ditadura é vaiado na câmara federal. Ou seja, o governo dos Castros que dura 54 anos é… uma democracia???

Será que teremos que viver em um sistema totalitário para entender que não é o melhor sistema de governo?

Recentemente, um amigo esteve na Inglaterra atuando como interprete em uma convenção. Fez amizade com um interprete russo. Nas conversas falou da simpatia do governo brasileiro pelo socialismo/comunismo. O cara ficou uma fera e indignado falou algo como :  “vocês precisam experimentar o que é para saber o inferno que é, só assim entenderão!” E saiu bravo.

Mais detalhes:

Colocando Curativo Na Saúde Brasileira…

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“Contra a Corrupção”, uma reivindicação burguêsa?

Por Carlos Roberto Teixeira Netto

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Sem dúvida, as palavras que usamos denunciam nossa ideologia. Uma pessoa a quem admiro disse certa vez que sem ideologia não existimos.

Há pouco escrevi para um amigo que se falássemos menos e escutássemos mais, o mundo seria diferente. Não acredita? Faça um teste por um dia. Escute mais as pessoas, preste a atenção no que lê, Descobrirá muita coisa que vai além do que é dito ou escrito.

Podem dar o nome que quiserem, mas a corrupção é nociva ao país. Vai ser difícil alguém provar o contrário, seja a ideologia que tiver. A corrupção desvia recursos públicos que deveriam ser destinados ao bem comum para o bolso de quem não precisa. Os mais afetados pela corrupção são os menos favorecidos.

O PT acreditava nisto e fez disto uma de suas bandeiras. Estava errado? Ou será que era apenas uma bandeira para chegar ao poder? Assista este video usado na campanha do PT. Seriam eles “burgueses”? O que teria acontecido? Era só para enganar? Ou será que se perderam no caminho?

“Aquele, pois, que cuida estar em pé, olhe não caia.” – da Primeira Carta de Paulo aos Coríntios 10:12

Link do video XÔ CORRUPÇÃO – PT 2002 : http://youtu.be/Kx7-6TPz9VU (antes que julguem, já alerto, para os preconceituosos, que este video foi do PT, mas postado pelo Reinaldo Azevedo, odiado pelas esquerdas…)

Agora, quando centenas de milhares saem às ruas para protestar por um melhor uso dos recursos públicos, as condenações são feitas por aqueles que chegaram ao poder e querem lá permanecer. O discurso muda. Passam a designar essas reivindicações como “burguêsas”, de “fascistas”, de “extremistas de direita”, em uma intenção clara de desqualificar. Em geral, são pessoas que acreditam e defendem que “os fins justificam os meios”. Esta crença (“os fins justificam os meios”) é parte da ideologia que pode e deve ser contestada. Essas pessoas, também, tem o maniqueísmo como parte de sua ideologia. O mundo é dividido entre bons e maus. Só eles podem fazer o Bem. São “monopolistas do Bem”. Qualquer coisa que não feita por ele ou por seu grupo, sua tribo, é ruim. Como parte de suas táticas, criam seus inimigos para conseguir seus intentos.

Sim, a corrupção pode e deve ser reduzida. Se é uma reivindicação burguesa ou não, não me interessa!

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Movimentos Sociais São Assim…

Por Carlos Roberto Teixeira Netto

Movimentos sociais são assim…

Alguns orquestrados e outros resultados de convergência de pensamentos, identificações comuns, etc. Não sou um sociólogo… Mas, uma coisa é certa, o movimento nas ruas coincidiu com a vaia retumbante à Dilma e pegou de surpresa todos a que ouvi até agora (Eduardo Cardozo, Alckminn, Haddad, Sergio Cabral e todos os jornalistas). Ou seja, diversas camadas da sociedade estão insatisfeitas e isto veio se acumulando.

Lembre-se que, por exemplo, o Tiririca teve 1.3 milhões de votos, SÓ NO ESTADO DE SÃO PAULO, e a maioria foram votos de protesto. A população precisa e quer se expressar e não está conseguindo. Os políticos estão descolados do povo.

Claro, que para os agitadores este é um ambiente propício, mas eu, particularmente penso que será difícil controlar ou manipular esse grupo tão diverso que está fazendo ruído nas ruas.

Acredito que isto é bom para uma democracia onde o APOLITICISMO estava dominando o povo brasileiro. Sinto, pois teremos que conviver com excessos (sempre de ambas as partes). SE… tivéssemos, como sociedade justa e responsável, feito nosso dever de casa tudo isto poderia ser evitado. Mas, PT com seu projeto de poder e compactuando com o que havia de pior na política com uma a oposição comprometida e ineficaz contribuiu para que chegássemos neste ponto.

Só lembrando…

  • no da 26 de Junho, a câmara federal estará votando a PEC 37 que tirar o poder de investigação do Ministério Público;
  • A Ação Penal 470, o famoso mensalão, está patinando por conta da leniência de nosso judiciário, com seus embargos infringentes;
  • Renan Calheiros segue presidente do senado…
  • Querem mais???

VIVA A DEMOCRACIA!

Talvez, lhe interesse ler e pensar sobre esses posts que escrevi na tentativa (fracassada, diga-se de passagem) de se evitar esses confrontos, as dores, os sofrimentos, as incompreensões, as radicalizações:

Ao Eleitor do Titirica

A Minoria Conduzindo a Maioria… ou o Perigo da Polarização

Se não viu seguem videos sobre o tema:

“Jamais achei que ele fosse atirar” afirma uma jovem reporter:

Marina Silva comenta as manifestação nas ruas:

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Papa Francisco: O cristão deve envolver-se na política?

Por Carlos Roberto Teixeira Netto

Os cristãos defendem o estado laico. Sobre esta questão da laicidade

Li uma frase que me fez sentido: “O estado que promove ativamente a secularização não é laico; é secularista.” (link da fonte)

Mas, o fato do estado ser laico não quer dizer que o cidadão cristão ou de qualquer outra religião, obviamente, esteja proibido de se envolver na política.

Recentemente, o papa Francisco, em um encontro com estudantes expos, brevemente, o que pensava sobre os cristãos e a política. Segue o clip deste trecho:
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Chávez: Nem Oito Nem Oitenta

Texto de um colega de trabalho, Lior Messer, que procura fazer uma análise mais objetiva, menos ideológica, do Governo Hugo Chavez e de seu legado.

Balance

De : Lior Messer

Data: 08/Março/2013

O grande problema é que as análises são feitas de maneira emocional, se pegando a um ou outro ponto e entrando em uma discussão polarizada. Ou tudo está certo ou tudo está errado. Acontece que nenhum país, nenhum governo ou nenhuma ideologia pode ser analisada de forma fragmentada, tem que olhar a figura completa. Assim como nenhum país, governo ou ideologia pode ser analisado de forma bipolar. Existem os acertos e os erros. É muita ingenuidade acreditar que tudo está certo ou errado…

Esses dias têm sido cheios de reportagens, análises, opiniões. Essa é a hora de se informar, comparar visões, questionar e aprender. Sem preconceitos, é da comparação das visões que sai o aprendizado. A chance é essa, pega quem quiser.

Vou dar a minha modesta visão sobre o governo Chávez. Desculpe pelo tamanho do texto mas, de novo, qualquer análise simplista acaba servindo mais para bate-boca de bar/Facebook do que para qualquer aprendizado.

Primeiro, alguns pontos positivos: Continue lendo “Chávez: Nem Oito Nem Oitenta”

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Minhas Visitas a Cuba (Ziel Machado)

A propósito da visita da blogueira cubana Yoani Sanchez e toda a reação e discussão na mídia, li e achei apropriado registrar aqui este texto, reproduzido com permissão do autor.

Minhas visitas a Cuba: não tenho do que me orgulhar, prefiro aprender!

Por Ziel Machado  em 21/02/2013

Minha amiga Maysa Monte me perguntou sobre a questão da “satanização pública”, expressão usada pela nossa visitante cubana Yoni Sanchéz. Aproveito a oportunidade para expressar minha opinião, dando uma “no cravo e outra na ferradura”, como diria minha saudosa mãe! Continue lendo “Minhas Visitas a Cuba (Ziel Machado)”

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Os Cristãos e a Democracia

Nas arrumações (“destralhamento”) de final de ano, encontrei este artigo do Robinson Cavalcanti, de 1979. Foi o suficiente para desviar de meu intento de me desfazer das coisas antigas, pois o conteúdo do escrito mostrou-se extremamente atual face ao momento político que vivemos.

Segue a íntegra:

OS CRISTÃOS E A DEMOCRACIA – Robinson Cavalcanti

Kairós Momento No. 9 (Setembro/Outubro/1979)

É um fato que o Ocidente caminhou mais depressa em direção a uma etapa institucionalizada do poder politico, abandonando o período anterior, chamado por Duverger de poder personalizado, cuja última manifestação histórica foi o Absolutismo. Esse poder se legitimaria de modo racional ou legal, e não mais pelo carisma ou pela tradição, segundo a tipologia weberiana. Concomitantemente, o arbítrio é substituído pelo Estado de Direito, dentro de um sistema politico constitucionalmente ordenado. O “direito divino” dos reis cede lugar ao princípio da soberania popular. As funções do poder se fracionam em órgãos legislativos, executivos e judiciários, harmonicamente interdependentes, de fiscalização e controle mútuos.

Eleições regulares, periódicas, livres e sinceras são os veículos de escolha dos representantes do povo. O sufrágio é estendido às mulheres, abandonadas às exigências censitárias e capacidades, tornando-se universal e secreto.  Os magistrados, com garantias de vitaliciedade, irredutibilidade e inamovibilidade, devem agir dentro do princípio de igualdade perante a Lei, em julgamentos não-viciados, garantindo ao acusado o direito de defesa, assim como sua integridade física quando detido. Os detentores do poder, ali, devem permanecer durante um período predeterminado (mandato), possibilitando a alternância das correntes circunstancialmente majoritárias, organizadas em uma pluralidade de partidos aglutinadores de opiniões, aspirações e interesses dos diversos segmentos da sociedade.

O cidadão (não mais súdito) é portador de deveres e direitos. Dentre estes, destacamos o “habeas corpus”, o mandato de segurança, a liberdade de ir, vir ou deixar-se ficar, a possibilidade de associar-se para fins lícitos, sejam eles de natureza política, filosófica, religiosa, científica, recreativa ou econômica. A História conhece o pluralismo e a aprendizagem da convivência de contrários, segundo regras civilizadas predeterminadas.

As forças armadas cumprem o seu papel constitucional de garantidoras da segurança das Leis e do Pacto Político vigente.

A crise da Revolução industrial conduz ao fim do absenteísmo estatal. O intervencionismo adiciona a justiça social ao ideário democrático, ao lado dos direitos individuais e das liberdades públicas. A Constituição alemã de Weimar, de 1919, é um divisor de águas entre a velha concepção liberal de democracia e um novo modelo socialmente orientado, visando a consecução do bem-comum. Juntamente com um sem número de grupos de interesses e grupos de pressão, o sindicalismo livre abre caminho à ascensão da nova classe operária, buscando a superação de sua antiga situação de proletariado marginalizado, portadora, agora, dos direitos antes gozados apenas por aristocratas e burgueses (temos os burgueses aristocratizados e os operários aburguesados). Um modelo econômico voltado para o mercado interno termina por fortalecer o percentual de integrantes dos extratos médios, reduzindo a distância entre o topo e a base da pirâmide social. À rígida estratificação segue-se uma ampla possibilidade de mobilidade social vertical. Previdência social, aposentadoria, férias, jornadas de trabalho reduzidas, e tantas outras, são conquistas que se sucedem.

Apenas “Excrescências Burguesas”?

Talvez tudo isso não seja muito, não seja tudo. Em termos históricos, porem, é um longo caminho percorrido, com certa rapidez em relação a séculos e séculos precedentes. Momento maior de uma civilização assentada sobre os valores judaico-cristãos. Valores capazes de superar as limitações presentes, conduzir o processo a um aperfeiçoamento, a patamares superiores.

Para o radicalismo da extrema-direita e da extrema-esquerda, todas essas conquistas não passam de “mera excrescência burguesa”(Lembre-se discursos de 68). Tal acusação é um acinte ao próprio homem e ao seu esforço libertador na História. Quantas civilizações não dariam tudo – no passado e em nossos dias – para gozar dessas “excrescências”? Quão alto foi o preço pago por elas!

Essas conquistas jurídicas, políticas, culturais e econômicas, são conquistas da humanidade, patrimônio da civilização. Elas são tomadas por sentado pelas correntes políticas sinceramente pluralistas. Cogita-se em expandí-las e aperfeiçoá-las, e nunca em suprimí-las. Dentro desse pacto politico, discute-se as vias e os modos de seu aprofundamento, notadamente em suas implicações sociais e econômicas. Se esses últimos aspectos dividem antigos e neo-liberais, conservadores, democratas-cristãos, centristas, trabalhistas, sociais-democratas e socialistas, uma unidade de propósito se manifesta na defesa daquelas conquistas alcançadas.

Nunca é demais enfatizar que a democracia avançou com a cultura e a educação. Sem isto inexistiria uma opinião pública informada, participante, capaz de reivindicar e apta para optar da melhor maneira, arredia às tentativas de manipulação. Destaque especial deve ser dado à ampliação do acesso à escolaridade e à liberdade de imprensa.

Na elaboração da ética judaico-cristã, a democracia esteve ligada a episódios importantes da história do cristianismo, especialmente, a Reforma e a Pós-reforma. O cristianismo revitalizou a herança helênica. Foram os povos onde as Escrituras Sagradas mais se disseminaram, os que conseguiram modelos democráticos mais estáveis, no máximo de correspondência possível entre liberdade e justiça. Querer fazer a ética caminhar em suas fontes tem resultado em crises para o experimento democrático.

O Passado do Brasil Não Ajuda

O Brasil foi formado sem Reforma, sem Escrituras e sem democracia. Herdamos o modelo patrimonial-estamental português, com uma sociedade civil débil, diante de um Estado forte. A família patriarcal, a empresa escravocrata ou de semi-servidão, o analfabetismo das massas, o verticalismo social, político e eclesiástico. Enquanto o Ocidente avançava democraticamente, nós revivíamos tropicalmente o ancien régime, acrescido de resquícios do tribalismo africano e ameríndio. Passamos ao largo do capitalismo privado avançado. O liberalismo de nossas elites nunca foi consequente em sua dimensão política. A importação de modelos constitucionais estrangeiros não alterou magicamente o quadro, mas acentuou o fosso entre o país legal e o país real. Democracia, essa nunca tivemos.

Cooptação de fato versus representação de direito. Em outro trabalho, escrevíamos: “A contestação do poder tradicional quase sempre tem sido feito em alternativas igualmente autoritárias e verticalistas, seja com carisma no fanatismo religioso e no banditismo rural, seja com a elaboração ideológica de integralistas e comunistas – com tantos seguidores nos estratos médios (…) na década de 1930 – sua estrutura interna e seu projeto para o país. Autoritarismo, verticalismo, fortalecimento do Estado, monopólio do poder e da verdade unem, historicamente, defensores e críticos do status quo, nas províncias “atrasadas” e nos centros “adiantados”.

A democracia é uma aspiração de todos. Nunca, porém, deve ser ela transformada em demagogia eleitoreira ou em discurso hipócrita dos que buscam o poder, e não o povo. O realismo nos estimula a levar em conta nossa história, nossas estruturas (inclusive mentais) e nosso momento. O idealismo nos leva aprender com as experiências dos países democraticamente mais avançados. O ritmo e o modo de relacionar esses dois dados desafiam a imaginação política de pesquisadores e militantes.

Ninguém é paranóico para ver inimigos da democracia em toda a parte; ninguém é ingênuo para negar a existência deles, aqui dentro e lá fora. O excesso de segurança pode atrofiar o crescimento da democracia; a ausência de segurança poderá expô-la à morte.

Busca-se um novo momento no relacionamento entre a sociedade política e a sociedade civil. Uma democracia estável poderá emergir da sinceridade dos integrantes de um pacto político renovado. Erros não podem ser reeditados. O radicalismo e o passionalismo não ajudam. Os que acusam os momentos autocráticos, recentes, não têm coragem de confessar que, em um momento de crise do velho pacto político, eles também conspiravam e preparavam o seu golpe.

Como cristãos – sem querer sacralizar regimes – participar do processo de redemocratização é um reencontro com as origens, como nossos antepassados da fé, no palco da História. Nossos modelos eclesiásticos se tornam subsídios de valor. Devemos, contudo, lembrar os não-crentes da fragilidade do intento, se não disseminarem a ética cristã. E que a ética cristã não vai muito longe sem estar ligada ao seu Criador. A seiva do horizontal está no vertical. O sentido do temporal está no eterno. A esperança para as estruturas novas está no homem novo. O poder para todos é animado pela fé de todos.

Nossa contribuição cristã estará sempre temperada pelo realismo da crença em uma natureza humana pecaminosa. Nossa contribuição positiva como cidadãos e como homens que encarnam o amor de Cristo estará instruída pela Revelação das Escrituras, pelo sentido de identidade, pela proclamação do Evangelho, pela certeza do Juízo Final. Não seremos movidos pela miragem da utopia e, sim, por um ensaio expectante da parousia.

Kairos 9