Transposição do Rio São Francisco

Porque a transposição do Rio São Francisco não é uma solução para o problema da água no Nordeste e alternativas para tal, bastando “vontade política”.


Carta enviada ao Presidente da “Comissão do Rio S Francisco” em Julho de 2000:

Rio de Janeiro, 12 de Jul 2000

Exmo Sr Deputado Presidente da “Comissão do Rio S Francisco” (Sessão Especial de 5 de Julho de 2000)

Saudação cordial

Apresentação

Inicialmente, aqui vai a minha apresentação, pois assim espero que haja mais credibilidade no que vou procurar expor nesta carta.

Eu sou um antigo Coronel da Arma de Engenharia. Servi ao Exército durante 40 anos. Fiz todos os cursos da Carreira, incluindo o da Escola de Comando e Estado Maior. O meu comando foi no 1o. Batalhão de Engenharia de Construção com sede em Caicó/RN (sertão do Seridó). Servi no Nordeste por 16 anos. Hoje já estou reformado (tenho mais de 66 anos), mas 3 filhos continuam na Atividade: um é General de Brigada (oriundo da Arma de Engenharia) e dois outros são Tenentes Coronéis. O Gen de Bda comanda o 2o. Grupamento de Engenharia de Construção (“Grupamento Gen Rodrigo Octávio”) em Manaus. Tem os seus 5 batalhões de Engenharia de Construção sediados em toda a “Amazônia Legal”. A linhagem militar da família vem desde o Brasil Colônia. A minha descendência paterna e materna vem do Ceará. Eu sou natural do Estado de São Paulo.

Atualmente eu estou todo voltado à “Caridade em ação”, que é o lema da Sociedade de S. Vicente de Paulo, que existe nos 5 Continentes. Essas minhas atividades eu as venho praticado desde os meus 15 anos de idade, e atualmente dão mais ainda sentido à atual fase de minha existência .

Eu desejava ser preciso, conciso e objetivo no que quero transmitir, mas não sei se conseguirei.

Nas minhas orações estou sempre pedindo a Deus que eu ainda possa ser útil a Sua Messe e à minha Pátria, e quando morrer quero continuar através de meus filhos que serão os meus prolongamentos.

Ao rodar os canais da TV encontrei no dia 5 deste mês(15hs, Canal 10, Canal da Câmara) uma “Sessão Especial”, onde estava sendo debatido o palpitante tema sobre a transposição do Rio S Francisco (o “velho Chico”) e outros relacionados com as dificuldades do abastecimento de água no Nordeste. Detive-me naquele canal e mesmo passei a gravá-lo (mas já no final). A minha tendência inicial era continuar rodando os canais, mas me lembrei do que sempre peço naquelas minhas orações, e assim não quis ser omisso. Resolvi então contribuir de alguma maneira com o que estava sendo tratado na “Sessão Especial”, pois experiências e ensinamentos colhi não só naquele meu comando no Batalhão de Engenharia de Construção (Caicó/RN) como também nos meus 16 anos de serviços nos Grandes Comandos do Nordeste como Oficial de Estado Maior ( Seção de Planejamento – manobras, exercícios no terreno, inspeções, visitas às grandes unidades subordinadas e à levantamentos estratégicos de área).

Após todo este intróito vou agora tentar ser mais sintético e objetivo.
1) Transposição do Rio S Francisco

Nos debates havidos não foi considerado o fato que no período do “inverno” (chuvas) chove não só na região da Bacia do Rio S Francisco, como também em outras do Nordeste. Assim nesse período, não haverá problemas de água para o Nordeste (uso doméstico e para as atividades agrícolas). No período sem precipitações atmosféricas e principalmente nas “secas” a vazão do Rio S Francisco cai e cai muito, assim não há como pensar de jogar as águas do S Francisco para outras regiões do Nordeste. Como conclusão a transposição do S Francisco não será a solução para o problema de água no Nordeste. Será uma despesa de grande vulto sem resultado prático.

2) Poços profundos (poços subterrâneos)

Era uma das gratas missões do Batalhão de Engenharia de Construção que eu comandei. Era uma missão que eu muito destacava, pois o problema da água é realmente, preponderante no Nordeste. Há dois aspectos relevantes a serem considerados. Na extensa área do NE temos que considerar solos que constituem o “embasamento cristalino brasileiro” (granito/gnaisse) e os solos sedimentários. Há grande diferença nos poços perfurados nesses solos (embasamento cristalino e sedimentários). No cristalino os poços têm água em poucos metros de perfuração, a vazão é pequena e a água encontrada é salobra. O próprio gado se recusa a bebê-la… O cristalino está em 60% do Nordeste. A água presente forma os aqüíferos que existem pela presença de fendas nas rochas e que vêm de século, daí a mineralização da água nos aqüíferos.

Nos terrenos sedimentários, os aqüíferos são formados pela infiltração das águas das chuvas através das camadas das rochas sedimentárias, daí a água ser potável e muita, vazão grande e a água encontrada em maiores profundidades. Há terrenos assim em regiões do Piauí, Rio Grande do Norte e outras mas não em áreas extensas como as do cristalino.

Pelo que aqui foi visto podemos logo concluir como são equivocadas as menções sobres a solução encontrada por Israel em áreas desérticas, pois ali os solos são sedimentários e não cristalinos como a maior parte do NE.

Então não temos como aproveitar a área subterrânea do Nordeste? Quanto a dos terrenos sedimentários poderemos ter água não só para uso doméstico como para atividades agrícolas (irrigação).

E quanto à água dos solos do cristalino? Poderemos pensar na dessalinização por aparelhagem apropriada, o que importará em despesas de certo vulto. Podemos pensar também na energia solar para a dessalinização. Já existe na Universidade Federal da Paraíba estudos e pesquisas a respeito sobre esse aspecto. Podemos pois nos valer do que já existe e ainda procurar mais rapidamente desenvolver aqueles estudos e pesquisas.

Não devemos também deixar de considerar a energia eólica (os fortes e constantes ventos do NE) para a retirada da água dos aqüíferos, atendendo assim melhor a parte econômica dos empreendimentos.
Conclusões

O problema da água do NE – e que vem de tantos e tantos anos poderá ser efetivamente solucionado uma vez que esteja presente a “vontade política”. A brava e valorosa população do Nordeste está bem merecendo que seja de vez afastado tão crucial problema. Não podemos esquecer que foi no Nordeste que nasceu a nacionalidade brasileira.

A transposição do Rio S Francisco não trará resultados práticos. Será “chover no molhado” no “inverno”, e nos períodos sem precipitações atmosféricas (principalmente nas “secas”) a vazão do S Francisco muito diminui e assim não devemos pensar em jogar suas águas para outras regiões do Nordeste.

Poços profundos (poços subterrâneos). Nos solos sedimentários poderão ser bem aproveitados para a irrigação e uso doméstico. Contudo a considerar que não são extensas as áreas de subsolos sedimentários no NE.

Nos solos do embasamento cristalino brasileiro. Utilização da energia solar para a dessalinização da água. Tirar proveito dos estudos e pesquisas já existentes na Universidade Federal da Paraíba.

Em ambos os solos utilizar a energia eólica para a retirada da água dos aqüíferos.

Embora os custos sejam bem maiores, lançar mão de motores (gasolina, diesel e a álcool) para a retirada da água dos aqüíferos.

Finalmente, procurar usar os Batalhões de Engenharia de Construção nas missões de perfuração de poços profundos. O Batalhão de Caicó/RN já tem muita experiência e tem muitos ensinamentos vindos das perfurações de poços já realizadas em seu histórico de atividades de construção.

Com os meus votos de saúde e paz

Cel. Eng. R1 Marius Trajano Teixeira Netto

Em complemento…

Na atual situação, no que se refere à geração de energia no Nordeste, podemos logo sentir – pelo estado dos reservatórios ao longo do curso do Rio S Francisco – como será inadequada a sua transposição (a sua vazão caiu muito).

O autor desta carta, Cel. Marius, faleceu em novembro de 2003

12 comentários em “Transposição do Rio São Francisco

  1. Antes de pensar na transposição do Rio
    S. Francisco, que a meu ver, trará graves
    consequencias ao já depauperado meio
    ambiente do Nordeste, o Rio deveria, antes de
    mais nada, ser recuperado. O Rio S. Francisco
    está poluído e assoreado. A sua recuperação
    traria grandes retornos á população, e à região
    , com o retorno da pesca comercial e recreativa, e também pela sua navegabilidade. O problema é que a recuperação de
    de um rio é muito demorada, dispendiosa
    e trabalhosa e não tem a visibilidade de uma grande obra como a transposição. Eu a vejo como idiota
    e desastrosa. O tempo dirá quem tem razão.

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  2. Comentário recebido de: Alfredo Augusto Patrício Junior, Engenheiro do ITA (T87)
    Eu, particularmente, acho que a criação de uma indústria de armazenamento da água de chuva (desenvolvimento tecnológico de formas de armazenar a água que cai no inverno, desde a simples solução de captar a água que cai no telhado até o desenvolvimento de materiais com propriedades de permitir que a água passe em um sentido e que sejam impermeáveis em outro, que poderiam ser colocados poucos centímetros/metros abaixo do solo, formando colchões de reservatórios de água), gerariam um pólo tecnológico na região (inclusive de exportação de tecnologia), criando empregos nos mais diversos níveis e reverteriam todo o investimento em prol de toda a população local.
    Concordo plenamente com seu pai, inclusive no item de desanilização da água dos poços dos solos graníteos. Países como Curaçao não possuem água potável e toda a água consumida vem de usinas desanilizadoras. Essas usinas não só fornecem água para a população, como também emprego.
    Infelizmente soluções como essas, que talvez custem muito menos que a transposição do rio (tanto em termos financeiros como ecológicos), não são bem vistas pelos políticos, já que existe o risco de que o nordeste se desenvolva e deixe de ser o curral eleitoreiro dos políticos exploradores da miséria de lá.

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  3. Comentário recebido de: Pedro John Meinrath, engenheiro do ITA (T59)
    Pela primeira vez leio um artigo sobre a transposição do S. Francisco, que nega a eficácia da proposta e dá argumentos sólidos para a negativa. Até agora só conhecia os rompantes de políticos, do MST e de um bispo, a favor e contra o S. Chico.
    A presença de água salobra pude constatar pessoalmente quando viajei, com meu saudoso filho, pela Chapada Diamantina, bem servida de rios, com excelentes plantações, como as de feijão quilometros afora, mas com água salobra a poucos metros do solo, a ponto de uma cidade da região chamar-se Salobro.

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  4. Eu, particularmente, acho que a criação de uma indústria de armazenamento da água de chuva (desenvolvimento tecnológico de formas de armazenar a água que cai no inverno, desde a simples solução de captar a água que cai no telhado até o desenvolvimento de materiais com propriedades de permitir que a água passe em um sentido e que sejam impermeáveis em outro, que poderiam ser colocados poucos centímetros/metros abaixo do solo, formando colchões de reservatórios de água), gerariam um pólo tecnológico na região (inclusive de exportação de tecnologia), criando empregos nos mais diversos níveis e reverteriam todo o investimento em prol de toda a população local.
    Concordo plenamente com seu pai, inclusive no item de desanilização da água dos poços dos solos graníteos. Países como Curaçao não possuem água potável e toda a água consumida vem de usinas desanilizadoras. Essas usinas não só fornecem água para a população, como também emprego.
    Infelizmente soluções como essas, que talvez custem muito menos que a transposição do rio (tanto em termos financeiros como ecológicos), não são bem vistas pelos políticos, já que existe o risco de que o nordeste se desenvolva e deixe de ser o curral eleitoreiro dos políticos exploradores da miséria de lá.

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  5. A transposição do rio S Francisco servirá mais aos interesses politicos-pessoais de Lula, bem maior do número dos benifiários das águas. Exitem métodos bem mais eficientes e baratos e que abrangeriam uma populaçao maior. Porem são de nemor vulto e mais dispersas, bem mais dificeis de serem vizuadas sob o ângulo politiqueiro. Orgão governamental e universidade já apresentaram solucões, mas rejeitadas por governos. Interesses dos “senhores dos engenhos”são amiores daquela do povo.

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  6. Algumas informações que me ajudaram a entender um pouco mais…
    O projeto é de cerca de R$ 6 bilhões (é muito dinheiro, mas menos do que se gastava com a indústria da seca). Para ter-se uma idéia, o estado (união, estado e município) gasta cerca de R$ 70 bilhões por mês!
    Bem… Isto se o valor do projeto não estourar…

    Outra informação.
    Não é uma transposição. Quem deu este nome foi para aumentar a dimensão do projeto.
    A quantidade de água a ser desviada é de cerca de 2 a 3% da vazão do rio São Francisco. Muito pouco, na verdade para causar um problema ecológico, acho eu. Imagino que muito entendidos em meio ambiente discutiram isto (espero).

    Portanto,
    SE o dinheiro for bem usado (difícil não haver desvios neste país), isto irá gerar trabalho durante o periodo de obras e isto é bom. Dá emprego, dá renda, dá giro na economia local.
    A água deslocada irá beneficiar uns, alguns ou muitos, não sei. Isto, também, é bom, pois irá gerar riqueza, produção, emprego.

    A solução poderia ter sido outra? Claro! Mas onde está a vontade de fazer? Coisas simples como sugeridas na carta não chamam a atenção, “não dá IBOPE”, tão pouco garante a perpetuação no poder…

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  7. Trabalhei na pesquisa em Energia Solar nos anos de 75/78 e 82/87 no Laboratório de Energia Solar (LES) da UFPb em João Pessoa. A destilação solar como desenvolvida naquele tempo tinha custo elevado e baixa produtividade. Hoje existem sistemas de geração de eletricidade eólica gigantescos ( cada aerogerador pode gerar de 3 a 6 MW de potência elétrica). os atuais sistemas poderiam gerar a eletricidade necessária para a produção de água doce a partir das águas salobras dos cristalinos, tão bem caracterizadas pelo Cel. Marius Teixeira Netto em sua carta. Vale resaltar que as enormes pás (50 m) do aerogerador são produzidas em Sorocaba pelo Bento Koike iteano da T76 e exportadas para os USA onde são montadas pela GE americana e constituem uma das soluções mais modernas para geração de energia elétrica sustentável do planeta. Soluções existem, portanto, para que a aventura de Transposição do Velho Chico seja evitada pela enorme possibilidade de sua inutilidade , com demonstrado pelo Cel Marius.

    Prof. Dr. Paulo Ignácio Fonseca de Almeida
    Eng. Eletrônico pelo ITA 73, mestre e Doutor na área de Energia pelo ITA e pela Unicamp em 1992. Professor aposentado da UFSCar e atual diretor executivo da Fundação de Apoio Institucional ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico da Universidade Federal de São Carlos SP

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  8. Que preciosidade de artigo, a exemplo da grandeza e estatura que foi este homem. Que Deus abençoe ricamente sua descendência dando a ela também esta contínua visão de amor ao próximo, como herança de Deus.
    Sidney

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  9. Foi omitida nessa analise uma questão primaria, a Viabilidade Técnico-Econômica.
    Exploração da água subterrânea predominantemente não é a mais economica,
    só em casos muito especiais quando não há alternativa com água superficial.
    O indice =Beneficio/Custo deve ser usado para confrontar as opções.
    Nos EEUU existem vários exemplos muito bem sucedidos de transposição.
    O projeto Central Valey no estado da California iniciado em 1925 e concluido
    em 1938 polarizou o desenvolvimento da California que há muito tem um PIB maior que
    o Brasil!!

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  10. Concordo em usar os Batalhões de Engenharia de Construção para missões de perfuração de poços profundos. Contudo, para garantir maior sucesso e eficiência na operação, deve haver a cooperação e participação dos especialistas das Faculdades de Geologia do Nordeste, bem como dos Governos Estaduais que possuam órgãos equipados para a perfuração de poços. A participação de Geólogos especialistas é fundamental para a otimização do empreendimento. Em lugar da carissima transposição, também haveria mais benefício e menor custo um programa intensivo de captação de água da chuva, construção de barragens submersas e de contenção.

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  11. Creio que a fase de discussão se a transposição é viável ou não já passou. Estamos com metade do projeto concluído e agora não há mais retrocesso, pois ninguém quer que essa seja mais uma obra inacabada no Nordeste.
    Entretanto, algumas melhorias poderão ser feitas. Primeiramente, devemos abordar a concretagem de fundo do canal, cujo objetivo é, tão somente, o de evitar infiltração no solo. Ora, conforme consta no artigo do coronel, cerca de 60% do solo do Nordeste é cristalino, de difícil infiltração. Eu acrescento que as bacias sedimentares do Nordeste se encontram, principalmente, no litoral e nos estados do Maranhão e do Piauí. Portanto, esses 60% se transformam em mais de 90% na área da transposição.
    O coronel diz que, ao perfurar poços, obtém-se pouca água e que esta é muito salina, visto que ela pode estar nas fissuras há séculos. Então por que concretar o fundo do canal, sabendo-se que a infiltração no solo cristalino é difícil? Se o fundo do canal fosse deixado “in natura”, teríamos quase um rio artificial, com as muitas vantagens de um curso de água natural e não mais veríamos a pressão da água sob o canal danificar o concreto, como vem ocorrendo.
    Temos que começar, também, a pensar nos problemas de gestão. O projeto prevê o lançamento da água do São Francisco nos açudes da região, permitindo que eles trabalhem com menor volume de água, diminuindo as perdas por evaporação. Trata-se de um raciocínio lógico. Entretanto, há que se pensar nas dificuldades que serão encontradas. A água será vendida aos estados, perdendo a empresa que fará a captação de água a gerência sobre ela, pois cada estado pode dar-lhe o destino que quiser. Isso contraria o objetivo social do projeto, que prevê que a transposição visa a abastecer 12 milhões de pessoas.
    Além disso, o volume de água captado não chegará integralmente aos reservatórios. Parte se perderá por evaporação, uma pequena parcela se infiltrará e haverá retiradas clandestinas ao longo do canal. Como a empresa que fará a captação da água vai lidar com questões dessa natureza? Não será melhor que a empresa responsável pela captação de água seja a mesma que faça sua distribuição e que essa distribuição se inicie ao longo dos canais?

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